Polícia que bate é polícia subdesenvolvida.
A partir daí, quase tudo o que constitui uma civilização ocorreu no Brasil tardiamente, e daquele jeito bem mais ou menos. Ou então ainda não ocorreu. A primeira universidade brasileira surgiu no século XX, centenas de anos após nossos vizinhos terem as suas. Escola pública universal é uma conquista recente, e só ocorreu quando a qualidade dela já não era das melhores. Os surtos de dengue se repetem a cada verão. E o respeito aos direitos humanos ainda está longe dos hábitos enraizados da sociedade.
No último século, lampejos de uma democracia frágil e duas ditaduras, a de Getúlio Vargas e a dos milicos, acabaram por deturpar uma das instituições fundamentais para a evolução de uma sociedade: a polícia.
O brasileiro aprendeu a ter medo de quem veste farda. Nos anos de chumbo, porque a polícia tinha poderes arbitrários para prender quem quisesse. Tem cara de terrorista? Vai preso. Tem cara de bandido? Vai preso. Está sem o R.G.? Vai preso. Está fazendo nada? Vai preso por vadiagem. E assim foi por muitos anos. Se perguntassem a um policial nos anos 1970 sobre qual era a prioridade de seu trabalho, a resposta padrão seria “manter a ordem”, e não “proteger a sociedade”. O cassetete virou política.
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Isso porque, na prática, a polícia defendia os governantes da própria população, porque uns queriam ser representados e outros se outorgaram o direito de representar. Estavam em lados opostos, algo que não faz sentido, em tese, em uma democracia – em que você pode cobrar quem elegeu como representante.
A polícia é um exemplo de que a transição da Ditadura Militar para a democracia parece ser mais um capítulo dessa história brasileira na qual as coisas acontecem mais ou menos, das políticas que mudam mas não muito, da evolução que se dá do jeito que der e não do jeito que deveria ser. Podem ter existido casos isolados, mas nunca houve uma real e abrangente ruptura das estratégias policiais da Ditadura com a maneira como as polícias estaduais atuam hoje.
Três fatos desta semana exemplificam esse fato: a ação da PM paulista na chamada Cracolândia, zona central de São Paulo tomada por viciados; a violência gratuita de um policial, também da PM paulista, contra um estudante da USP; a ação repressiva da polícia do Piauí contra estudantes que protestavam contra o aumento da passagem de ônibus.
O que podemos fazer para acabar com o problema do crack no centro da maior cidade do País? Borrachada em viciado, impugindo-lhes propositalmente “dor” e “sofrimento”, relegando a segundo plano a ação de saúde pública e de assistência social. O que fazer com estudantes a protestar contra o aumento da passagem de ônibus? Borrachada neles, como se fossem revolucionários comunistas tentando tirar o milico de plantão no poder do País.
É importante frisar que ser um policial competente no Brasil é um sacrifício digno de odisséias bíblicas. O salário é baixo, sobretudo se comparado ao risco que ele corre todos os dias. Quase nunca ele tem ao seu dispor uma boa estrutura para exercer o ofiício. E ainda tem grandes chances de receber instruções deturpadas no que se refere aos direitos humanos.
As autoridades já deveriam há muito tempo ter criado uma política nacional para a ação policial, seja esta sob jurisdição estadual ou municipal. Polícia que bate sem contexto de legítima defesa é polícia subdesenvolvida. A incapacidade das corporações policiais em resolver os problemas sem o cassetete mostra um país a evoluir do jeito que dá e não do jeito que deveria ser. É o rescaldo da Ditadura, que nos lembra diariamente o quão longe ainda estamos de sermos uma civilização avançada, não importa o quão bem caminhe nossa economia.

Há cerca de seis anos, os artistas, que fazem parte de uma organização não governamental de direitos humanos, resolveram abraçar a causa da agricultora Maria Joel, viúva do sindicalista "Dezinho", executado a mando de fazendeiros e pecuaristas da região. Marcada para morrer, Maria Joel assumiu o papel do marido e se tornou uma liderança na luta contra a violência e impunidade no campo. Antes do ato público e da caminhada, os artistas se reuniram com o juiz da comarca local, Gabriel Ribeiro. "Tenho acompanhado o seu trabalho e sei que o senhor é comprometido com a justiça e com as causas sociais", disse a atriz Camila Pitanga, depois de abraçar o magistrado.

hoje dia 26 de Novembro, em Rondon do Pará, Pará, se realizou um Ato Público em favor de Maria Joel e outros ameaçados de morte na Amazônia. Do MHuD, estarão presentes, entre outros: Camila Pitanga, Letícia Sabatella, Osmar Prado e Sergio Marone, que caminharam pelas ruas de Rondon do Pará. Maria Joel Dias viúva de José Dutra da Costa, que foi assassinado em 21.11.2000 quando presidia o mesmo sindicato
A filha Joelma se emociona ao lembrar, da frieza com que foi assasino o seu pai, e garante que estará sempre na luta em prol dos trabalhadores. 






Para a atriz Camila Pitanga, a intenção é virar a página da impunidade no campo. “A gente quer que Rondon do Pará vire a página e saia desta imagem de lugar violento, de terra de impunidade, para um lugar de paz, de conciliação de todas as classes sociais”, afirmou.
























porém obtendo respostas inócuas que não respondem de fato as necessidades locais. Enquanto isso, por conta própria vem oferecendo o apoio logístico a fim de assegurar o cumprimento do ano letivo, garantindo o direito à educação para todos os alunos. 
